Dois vice-presidentes tomam posse no Zimbabwe
Dois vice-presidentes zimbabweanos tomaram ontem posse no âmbito da formação de um Governo de Unidade Nacional (GUN) decidida unilateralmente pelo Presidente Robert Mugabe e fortemente criticada pela oposição, afirmou um alto responsável governamental.
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Segundo o acordo de partilha de poder assinado a 15 de Setembro entre o Presidente e a oposição, Mugabe pode escolher os vice-presidentes. Com efeito, os seus vice-presidentes, Joyce Mujuro e Joseph Msika, foram reconduzidos nas funções.
O Presidente Mugabe investiu-os esta manhã (ontem) na sua residência oficial´, indicou este responsável, que pediu para não ser identificado.
Segundo a agência LUSA, esta cerimónia ocorre dois dias depois da decisão unilateral de Mugabe de atribuir os ministérios-chave do futuro GUN ao partido a que pertence.
O principal partido da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) de Morgan Tsvangirai, contestou vivamente esta decisão e ameaçou domingo romper o acordo assinado a 15 de Setembro.
`As nomeações ou as acções que não dão resposta aos sofrimentos do país não têm qualquer sentido´, declarou à agência noticiosa francesa AFP o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa.
`Todas as nomeações efectuadas por Mugabe que não tiram o país do actual marasmo económico são insignificantes´, acrescentou.
O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, mediador mandatado para o Zimbabwe pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), deverá deslocar-se hoje a Harare para se encontrar com as partes e tentar salvar este acordo.
O acordo prevê que Robert Mugabe se mantenha como Presidente e que Morgan Tsvangirai venha a desempenhar as funções de primeiro-ministro do futuro governo.
Entretanto, a União Europeia (UE) condenou ontem a `decisão unilateral´ do Presidente Robert Mugabe, de formar um novo Governo, ameaçando o país com novas sanções caso o líder zimbabweano não respeite a partilha de poder com a oposição.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros ontem reunidos no Luxemburgo `condenaram a decisão unilateral de começar a formação de um novo Governo, que não reúne o consenso de todas as partes´, refere a declaração conjunta.
Os ministros dos 27 admitiram igualmente `estar dispostos a considerar medidas adicionais, no caso do impasse prosseguir na aplicação do acordo assinado a 15 de Setembro de 2008´, que determinou a partilha de poder entre Robert Mugabe e o líder da principal força política da oposição zimbabweana, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai.
De acordo com as agências internacionais de noticias, Mugabe, 84 anos, anunciou sábado que ia atribuir unilateralmente ao seu partido, a União Nacional Africana do Zimbabwe - Frente Patriótica (ZANU-PF), as principais pastas do Executivo (Defesa, Interior, Negócios Estrangeiros e Administração Local), mantendo assim o controlo do Exército, da Polícia e de outros organismos da segurança.
O ex-presidente sul-africano, Thabo Mbeki, deverá chegar hoje a Harare para tentar salvar o acordo de partilha de poder entre os zimbabweanos.
Segundo o porta-voz do ex-presidente sul-africano, Mukoni Ratshitanga, Mbeki vai encontrar-se com as diferentes partes `em separado ou em conjunto´ para tentar salvar o acordo de partilha de poder, alegadamente ameaçado depois da atribuição unilateral pelo Presidente Robert Mugabe de ministérios-chave ao partido a que pertence.
fonte:BBC
terça-feira, 14 de outubro de 2008
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